O voo já tem mais de 50 minutos de duração. Mesmo com as formações de mau tempo no través da rota, os pilotos estão tranqüilos, sabem que a máquina que tem nas mãos foi projetada exatamente para este cenário, o voo off-shore de longa distância servindo as empresas da indústria do óleo e gás. Com precisão e absoluta segurança, o enorme helicóptero se aproxima da plataforma de petróleo, mais de 250 milhas náuticas mar adentro, para realizar um pouso sob chuva. Usando da sua potência, executa a operação crítica no heliponto da plataforma com total sucesso. De seu interior, saem 18 funcionários descansados, se despedindo sorridentes da comissária de bordo e do piloto e co-piloto. Nada demais. Em breve, este será apenas mais um dia de operação normal do Sikorsky S-92 Helibus da Líder Aviação.
Comemorando 50 anos de atividades e tendo a frente seu fundador, o empresário e Comandante José Afonso Assumpção, a Líder Aviação completa mais uma etapa na sua expansão das operações off-shore, como ele mesmo explica em entrevista concedida no hangar sede da empresa, no Aeroporto da Pampulha, no último dia 23 de julho “Após o anúncio de uma novo sócio, a empresa Bristow Group Inc, uma das maiores operadoras de helicópteros do mundo e expertise em operações para a indústria do óleo e gás, totalizando investimento de 42,5% do capital da Líder Aviação, a empresa apresenta com orgulho a chegada de mais um equipamento fabricado pela Sikorsky, o S-92 Helibus, uma moderna ferramenta que vai impulsionar a economia brasileira no setor petrolífero. Trata-se de um helicóptero sem igual, e que inclusive tem seus tanques de combustíveis e trens de pouso fabricados no Brasil pela Embraer”, acrescenta.
Descrevendo o Gigante
O grande aparelho é Helibus por que leva 18 passageiros e três tripulantes em assentos anti-crash leves, de fibra de carbono, separados por muito espaço, oferecendo conforto e segurança. Amplo bagageiro/rampa para mais de 400 kg de bagagem fica disponível na versão de passageiros. Tudo isso com extra longo alcance, sistemas redundantes de aviônica digital, hidráulicos e elétricos, tanques de combustível instalados na estrutura externa da célula, quatro saídas de emergência, capacidade de flutuar e resistir a condições de mar bravio “seis”, botes de resgate infláveis de acionamento automático, acondicionados nos “sponsons”, grandes carenagens aerodinâmicas nas laterais da fuselagem, e célula estanque, capaz de flutuar e permitir o escape.
O aparelho oferece cabine de pilotagem para dois pilotos ultra sofisticada, com cinco telas LCD de matriz ativa a cores, FMS (Sistema de Gerenciamento de Voo) digital integrado a piloto automático de quatro eixos, com sistema de voo automático que permite programar way points de navegação e realizar uma missão de busca e resgate sobre o mar, com o helicóptero executando a navegação e mesmo mudando a altitude de voo sem que a tripulação tenha de voar a máquina (hands off), diminuindo a carga de trabalho da tripulação e maximizando o emprego operacional em condições SAR (Search and Rescue). Seus sistemas de navegação apresentam calibragem refinada, pois a aeronave voa extensas etapas sem pontos de referência.
Em caso de panes, os motores são preparados para suportarem a operação monomotor por duas horas, e por até meia hora funcionam sem óleo. A célula apresenta parede corta fogo que separa a estrutura dos motores da fuselagem, aumentando a segurança e reduzindo a vibração e o ruído dentro da cabine. O espaço interno é ponto alto do aparelho, a configuração 2+1 de fileiras de assentos permite amplo movimento de pernas e braços.
Cintos de cinco pontos são padrão e de uso obrigatório. Os bins, espaço para bagagem sobre os assentos, são de tamanho semelhante aos vistos em aeronaves do porte de um Boeing 737 ou E-Jet 190. A comissária possui espaço para fazer seu trabalho com folga, e pelo menos dois carrinhos de serviço modulares podem ser embarcados sem problemas. O seu assento de voo fica em posição invertida, de frente para os passageiros, o que agiliza o atendimento e a observação da cabine. A porta de embarque e desembarque, localizada do lado direito, se abre para fora em duas metades, à inferior contendo os degraus, que suportam peso de até 180 kg. Todas as janelas, em caso de emergência, podem ser ejetadas sem muito esforço. É obrigatório o voo com coletes salva vidas dotados de dispositivo LSD (Life Suport Device), que permitem respirar por até dois minutos e meio debaixo da água, evitando o afogamento dos passageiros em caso de pouso forçado no mar.
Mudanças Operacionais
“O novos poços descobertos no chamado Pré Sal demandaram uma mudança nos requerimentos de alcance e operação off-shore, que antes trabalhava na faixa de 70 a 130 milhas náuticas de distância. O Campo de Tupi, por exemplo, está a mais de 200 milhas náuticas do litoral brasileiro.” Quem afirma é Leonardo Alvarenga Mansur, Gerente Geral Comercial da Unidade Helicópteros da Líder Aviação. E acrescenta “Operando de bases como Macaé e Farol de São Tomé (Campos dos Goytacazes), o S-92 promete revolucionar o mercado off-shore, pois o pax de 18 passageiros significa até seis pessoas a mais que a configuração de alta densidade do Sikorsky S-76C ++, por exemplo, uma excelente máquina que também operamos. Transportaremos mais passageiros realizando menos viagens, o que vai permitir desafogar o já intenso tráfego nesta área, maximizando esforços e racionalizando gastos. A aeronave será exclusiva para o mercado off-shore, pois salvo raras exceções, é o único que comporta helicópteros deste tamanho.”
“A máquina também exigiu mudanças na parte de manutenção, já que objetivamos 100% de serviços locais, excetuando motores, caixas e acessórios, que devem ser enviados para os Estados Unidos para revisão. O planejamento realizado visa certificar equipes para operarem o helicóptero, já temos 12 mecânicos qualificados na operação da máquina e mais uma turma de oito tripulantes e mecânicos seguiram para West Palm Beach, nos EUA, para completarem na Flight Safety seu treinamento. Formamos uma parceria com a HSI para realizar a manutenção do S-92 Helibus no Brasil”, completa.
Pilotando a Máquina
Dois pilotos americanos tranqüilos e experientes trouxeram o S-92 Helibus prefixo N2059 em voo desde Louisiana, com escalas na Flórida, e depois de sair dos EUA cruzaram a América Central, passando por Bahamas, República Dominicana, Martinica, Trinidad e Tobago, Suriname, Guiana Francesa, para finalmente chegar ao Brasil por Macapá, depois Roraima, Brasília, Macaé, Rio de Janeiro e Belo Horizonte!
Mr. Danny Platt, texano, e seu co-piloto, Mr. Keith Quigley, são aeronautas veteranos, com anos de experiência de voo em grandes máquinas. Danny voou no mercado off shore americano antes de se tornar instrutor de voo. Sua carreira começou aos 19 anos de idade, em 1972! Atualmente, é o responsável pela formação de novos pilotos de S-92 e também comanda os vôos de entrega como o do N2059.
Quando perguntado sobre as suas impressões ao voar o S-92, Platt foi taxativo “É uma máquina fantástica, com sistemas redundantes que aumentam a segurança, tendo aviônica digital no estado da arte e motorização com controle digital FADEC (Controle Digital de Autoridade Total sobre os Motores). Podemos atuar em vários perfis de voo, temos radar meteorológico digital para navegação, a carga de trabalho é extremamente reduzida e os sistemas podem até mesmo voar o helicóptero hands off (sem as mãos) em algumas ocasiões.”
E acrescenta “Os sistemas são tão inteligentes que, por exemplo, o mecânico que trabalha na aeronave possui um cartão magnético de acesso, que deve ser inserido no sistema para liberar a manutenção. Qualquer discrepância ou falha detectada pelo sistema de auto teste é registrada, e auto enviada pelo modem do helicóptero para a Sikorsky nos EUA, que retransmite a mensagem já com as devidas ordens de serviços e recomendações para a manutenção da aeronave! Quando uso o piloto automático, posso programar diferentes altitudes de voo, em questão de segundos, os comandos são intuitivos e de fácil assimilação. Realmente, são mudanças na aviação de asas rotativas muito significativas. O S-92 é uma bela máquina, e tenho orgulho de pilotá-la no final de minha carreira, pois devo me aposentar em breve”, confessa o avermelhado grandalhão texano, de 57 anos, emocionado.
Ficha Técnica
Propulsão:duas turbinas General Eletric CT-7 8, de 2.250 shp cada,
PAX de 18 passageiros e três tripulantes (COMISSÁRIO E DOIS PILOTOS)
Comprimento 20,8 metros, diâmetro de rotor de 17,17 metros, altura de 5,47 metros, peso vazio de 7.212 kg, peso máximo de decolagem de 11.861 kg, carga útil de 4.650 kg, carga externa de 4.535 kg, velocidade máxima de 310 km/h, cruzeiro de 280 km/h e alcance de 996 km.
Revista WEBASAS
Texto: Roberto Caiafa
Fotos: Roberto Caiafa
Líder Aviação:
José Afonso Assumpção
Leonardo Alvarenga Mansur
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