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  30/06/2009 - LAAD 2009 - VANT (VEÍCULOS AÉREOS NÃO TRIPULADOS)
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  • LAAD 2009 - VANT (VEÍCULOS AÉREOS NÃO TRIPULADOS)
1º Dia da Guerra – O Show dos Robôs

Os VANT (Veículos Aéreos Não Tripulados), ou em inglês, UAV, são hoje peças fundamentais nas estratégias militares das principais potências mundiais. A modernidade do conceito, estabelecido pelas forças armadas israelenses desde meados da década de setenta não parou se sofrer evoluções contínuas. O próximo passo, os UCAVS (Aeronaves de Combate não Tripuladas) já começam a tomar forma em algumas nações. Guerreiros da Seita Talibã figuram entre suas primeiras vítimas, atingidos por mísseis Hellfire disparados de UCAVs leves RQ-1 Predator.

Os primeiros VANT eram pequenos, com pouco alcance e limitada capacidade de transportar sensores. Mas eram também relativamente baratos, e o ganho militar alcançado pelos israelenses dede 1973 (Guerra do Yom Kippur) colocaram estas avionetas na condição de estrelas da moderna guerra aérea. E com razão. Todas as vitórias israelenses desde então tem tido fundamental participação de VANTs. As Forças Armadas Norte Americanas rapidamente adotaram o conceito, tanto a nível tático quanto estratégico, inclusive criando novas categorias de aeronaves não tripuladas de características únicas. VANTs podem manter vigilância sensorial de grandes áreas, durante extensos períodos de voo completamente automatizados, a dezenas de quilômetros do seu centro de controle, onde um ou mais operadores, confortavelmente instalados em seus assentos climatizados, monitoram todas as informações, os parâmetros de vôo, só interferindo na pilotagem em momentos muito específicos, tudo em tempo real. Se o inimigo movimentar tropas, veículos, ou emitir sinais eletrônicos em área coberta por estes robôs, o mesmo será detectado, fotografado e sensoriado, os dados sendo retransmitidos on-line para a retaguarda em terra, para outros VANTs ou aeronaves tripuladas de ataque que já estejam em vôo ou mesmo para navios e submarinos. Nada escapa destes verdadeiros ciclopes voadores e seus sensores de alta tecnologia, como FLIR (infravermelho de visão frontal), LRMTS (Sensor Telêmetro Laser e Tracking de Alvos) e outras sopas de letrinhas.

Missões e Equipamentos
Os VANTs são reconhecedores natos, seu destino é a produção de informação. Nesta condição, seu uso encontra-se bastante consolidado. Exércitos e Forças Aéreas modernas não concebem manobrar sobre terreno ou espaço aéreo sem a cobertura de VANTs. Conectados em rede via satélite ou por sinais digitais de rádio on-line, estes aparelhos possuem memória suficiente para, por exemplo, retornarem automaticamente até sua estação de lançamento, efetuar pouso e corte de motor, em caso de perda de contato.

Sensores a bordo permitem a obtenção de dados de inteligência de sinais (sigint) e de imagens de observação direta por vídeo colorido (para pilotagem), TV de baixa luminosidade, infravermelho ou sensor de calor, laser com auto-tracking (para acompanhamento de alvos) e imageamento SAR (radar de abertura sintética) para reconhecimento de grandes áreas. Instalados em torretas motorizadas giro-estabilizadas e protegidas contra vibrações, estes conjuntos de equipamentos permitem fazer a guerra 24 horas, de dia ou de noite, sem interrupções, minimizando erros (fogo amigo), mantendo os comandantes e tomadores de decisão com a mais completa visão do campo de batalha e negando aos adversários o acesso a suas linhas logísticas, redes de comunicações e defesa e centros de comando e controle.

VANTs anti-radar podem, por exemplo, orbitar na direção conhecida de um sítio antiaéreo por horas. Quando este ligar seus radares diretores para aquisição do que ele pensa ser um alvo, o VANT anti-radar mergulha na direção do sinal, impactando sua cabeça de guerra contra a antena do sensor, destruindo o radar e seus valiosos operadores. Se o sinal for desligado, o aparelho retoma sua órbita de espera automaticamente. A simples presença de um VANT anti-radiação na área da estação diretora radar da defesa antiaérea faz com que o inimigo não consiga operá-la de forma eficaz, permitindo que a aviação aliada cumpra sua missão.

Outro uso é na vigilância de áreas de conflito de baixa e média intensidade, fronteiras, regiões inóspitas de grande valor econômico, complexos penitenciários, grandes plantações, ou na patrulha de áreas urbanas densamente povoadas e conflagradas. Os VANTs podem ser usados também como retransmissores de sinais, orientação de meio curso para mísseis de longo alcance, regulação de tiro de artilharia, apoio de inteligência no combate terrestre a nível batalhão, companhia e pelotão (neste último caso, levados em mochilas e lançados com o uso das mãos).

Os modelos, definidos entre táticos e estratégicos, possuem diversas configurações de fuselagem, motores e pesos. Os táticos podem ser para uso de curto alcance, usando de motores elétricos até células de energia solar, transportados e lançados a partir de pequenos veículos de infantaria ou carregados em mochilas, passando depois pelos de média altitude e grande autonomia (MALE), que são os tipos mais comuns, capazes de manterem-se on station por mais de 14 horas levando uma carga paga de sensores que oscila entre 70 kg até 300 kg, em média. Usam motores a explosão na faixa de 80 a 200 HP, ou então pequenos e modernos motores turbo-prop de maior potência.

Os VANTs estratégicos (HALE) voam nas grandes altitudes e apresentam configurações de inusitada aerodinâmica, e motorização a jato avançada ou turbo-prop. Muitos são capazes de voar até mais de 48 horas, cobrindo grandes áreas, e seus sofisticados sensores podem mapear, fotografar e escanear dezenas de alvos de todo tipo, em um único voo. Controlados via satélite (SATCOM), os VANT´s estratégicos apresentam avançada arquitetura de retransmissão de dados, tanto em velocidade quanto em volume. O Global Hawk, da Força Aérea Americana, é o mais avançado da classe, e o de maior tamanho e capacidade. Um destes VANT já saiu dos EUA, voou até a Austrália e retornou a América sem a interferência humana em nenhum momento, num voo épico de mais de 30 horas. Um Global Hawk pode manter o Afeganistão sobre vigilância setorizada por mais de 24 horas, sendo rendido por outro de forma ininterrupta, o que torna quase impossível aos Talibãs moverem-se sem serem detectados e atacados quase que imediatamente. Uma espécie de Big Brother das Armas.

UCAV, A Máquina do Primeiro Dia da Guerra
Com a tecnologia atual, ficou óbvio que o próximo passo seria o desenvolvimento de aeronaves de combate não tripuladas equipadas com o melhor em sistemas, design furtivo e armadas com mísseis e bombas de ataque stand-off, capazes de serem disparados de distâncias seguras, evitando a exposição do VANT e assegurando a destruição de alvos de alto valor estratégico e tático. Redes de Defesa Aérea, Centros de Comando e Controle, Bases Aéreas, Posições de SAM e AAA, pontes e entroncamentos rodoviários e ferroviários, concentrações de tropas e veículos, refinarias, usinas hidrelétricas, estradas e aeroportos importantes, redes de telecomunicações, e uma extensa gama de outros alvos passam a ser passíveis de serem atacados e eliminados por aeronaves não tripuladas, nas primeiras horas de uma guerra total de alta tecnologia. E sem comprometer tripulações e aeronaves convencionais.

Existem aqueles que defendem que o fim dos aviões de caça e aeronaves de ataque tripuladas se aproxima, e as modernas forças aéreas do futuro serão voadas por robôs de combate altamente complexos e capazes de manobras e velocidades impossíveis de serem suportadas por seres humanos a bordo. Tais máquinas terão inclusive autonomia na aquisição, validação, designação e eliminação seletiva de alvos de alto valor, usando das novas munições inteligentes ora em desenvolvimento e estudo nos EUA. Para muitos, o F-22 e o F-35 serão os últimos caças pilotados por humanos fabricados na América. Para outros tantos, e este autor se incluí neste grupo, haverá um mix entre aeronaves tripuladas, de alta tecnologia e fabricadas em menor número, e UCAVs operados em grupos controlados por caças tripulados, sendo os pilotos gerenciadores avançados de combate, atuando os caças como “naves mãe” dos grupos de UCAV sob seu comando.

Os UCAV são uma realidade. O X-47 da Us Navy, o Neuron da Dassault, o Shark sueco, e tantos outros projetos em desenvolvimento pelos cinco continentes comprovam a busca pelo domínio do conceito. Mas o caminho ainda será longo e custoso. Muitos bilhões de dólares serão empenhados em pesquisa e desenvolvimento, adicionalmente aos já gastos até o momento. Os desafios são enormes. Para citar um exemplo, a Marinha Americana simplesmente almeja um UCAV que decole de um porta aviões, navegue ataque seu alvo, e depois retorne ao navio, sendo capaz de pousar no convés de forma totalmente automática, mesmo em mar revolto, e com carga militar não usada a bordo. Estes caçadores robôs serão o futuro da moderna guerra aérea.
No planejamento da USAF para este tipo de arma, os requerimentos prevêem que até cinco UCAVs, embalados em cases especiais lacrados, seus operadores, o contêiner GCU (unidade de controle de terra), armas, combustíveis e demais equipamentos possam ser acondicionados em palets modulares, posteriormente embarcados em cargueiros pesados C-5C Galaxy em cerca de três horas para qualquer lugar do planeta, de acordo com as necessidades. A meta é zero de manutenção durante a vida em inatividade, que pode chegar a ciclos de sete anos.
Os fãs de Terminator, filme onde o atual governador da Califórnia encarna o protagonista robô que detona humanos indiscriminadamente, talvez se perguntem: será que a Skynet do filme estaria sendo reproduzida na nova moda das “Guerras Centradas em Redes – NCW?” A realidade imita o cinema?

Texto e Foto: Roberto Caiafa
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